Baseado no cordel de Erotildes Miranda o espetáculo conta a história de três astronautas americanos que, com as bênçãos do Papa, seguem numa ambiciosa viagem para a Lua e lá encontram São Jorge, o “santo guerreiro” que, sustentado pelas forças da natureza, habita o território lunar.
O Santo os repreende dizendo que tudo quanto necessitam sempre esteve ao seu redor e que a ganância e a busca por poder desenfreadas geram somente destruição. Na busca pelo céu eles apenas se distanciavam do que já tinham, a Terra. Os astronautas tentam se rebelar e são enxotados por São Jorge e “seu belo ginete”. Derrotados eles retornam à Terra e são recebidos com honra e glória, como heróis. Enquanto isso São Jorge fica de quarentena, pois os invasores haviam contaminado a Lua com um vírus.
Na concepção criada pelo Tá na Rua, nessa batalha o Santo ora é São Jorge, ora é Ogum, o Orixá da guerra.
Cordéis
Os cordéis fazem parte do repertório do grupo Tá na Rua desde sua origem. Os textos foram originalmente trabalhados pelo grupo Teatro Livre da Bahia (1968), em Salvador (BA), sob a direção de João Augusto Azevedo, que fazia pequenas adaptações em textos de cordel de diversos autores, para os utilizar como textos dramatúrgicos em suas apresentações de rua (Souza, 1993). Uma cópia desses textos foi doada ao Grupo de Niterói, em 1977, por Orlando Senna, cineasta, amigo de Amir e que participara, na Bahia, do trabalho de João Augusto. Dos onze cordéis que faziam parte dessa coletânea, o Tá na Rua desenvolveu trabalhos apenas sobre três deles, cujas temáticas contribuíam para as discussões propostas, então, pelo grupo.



